Só o que é bom fica guardado…

eu e giu

Vou contar uma coisa pra vocês. Eu não curti muita essa história de ficar grávida não. Apesar de amar sentir minha pequena se mexer aqui dentro de mim e achar o máximo todos os paparicos que recebia, achei muito chato sentir todos os desconfortos da gravidez! Enjoei e vomitei demais durante os nove meses, tive muita azia, refluxo, dor intensa na virilha, dor na lombar, dificuldade pra respirar e dificuldade pra dormir (muitas vezes dormia sentada por causa do refluxo). Na época, pensava: O próximo filho será adotado! Passar por outra gravidez nevermore.

Mas aí a Giulia nasceu e já nas primeiras semanas eu nem me lembrava mais dos perrengues que tinha passado, estava tão envolvida com a nossa rotina maluca que, na verdade, não pensava em mais nada a não ser nos horários de trocar fralda, dar mamá, dar banho, etc. Posso dizer que todas as lembranças – boas e ruins – sumiram, como num passe de mágicas!

Com o passar do tempo as lembranças boas foram voltando e com elas um arrependimento danado de não ter aproveitado mais a minha gravidez! Lembrava-me do pezinho dela me chutando, do rostinho dela nas ultras, da alegria ao comprar uma roupinha e imaginá-la usando, da magia e inocência ao pensar em como seria quando ele estivesse nos meus braços, da euforia para montar o quartinho, do barrigão lindo e redondo, etc. Já não sabia mais o que era enjoo, dor, mal estar… Só pensava no quão mágico foi esse momento, de carregar minha filha aqui dentro. Era tudo tão fácil, ela estava sempre quentinha, segura e confortável e eu não precisava me esforçar muito para manter as coisas desse jeito. Nada que uma boa alimentação, algumas vitaminas pré-natal, momentos de descanso e alguns exercícios leves (coisa que a preguiçosa aqui mal fez) não resolvessem! Era só cuidar de mim que, automaticamente, estaria cuidando dela. Muito diferente da realidade dura do pós-parto!

Ao mesmo tempo em que sentia uma saudade enorme da minha gravidez, sentia na pele as dificuldades de cuidar de um recém-nascido! Me sentia cansada, esgotada, triste, melancólica, fraca, com vontade de pedir arrego, de sair correndo, de sumir do mapa. Lembro-me da consulta pós-parto com o meu obstetra em que ele comentou que quando eu fosse encomendar o próximo que era para procurá-lo (ele não atende mais ginecologia, só obstetrícia… então para ser atendida por ele novamente, só engravidando de novo!). Na hora quis gargalhar! Próximo? Você tá louco? Minha filha não terá irmãos! Você não tá entendendo doutor! É difícil demais! Não dou conta não! Outro filho jamais! Ele me olhou com aquela cara de euseioqueestoufalandoquerida e disse: É o que todas falam, mas depois de dois anos esquecem-se de tudo e voltam aqui no consultório para começar mais uma jornada.

Pra mim aquilo não fez o menor sentido! Eu não iria esquecer e, portanto, não teria mais filhos! Mas (sempre tem um mas, né?), o tempo continuou passando. “Tempo, tempo, tempo, tempo… És um dos deuses mais lindos!”. As coisas foram se tornando mais leves, a Giulinha foi se adaptando à vida aqui fora, eu fui me adaptando à minha nova vida e ao meu novo eu e as pecinhas foram se encaixando. Opa! Até que cuidar de uma criança não é tão difícil assim, eu consigo, eu dou conta, eu sou foda! Hahaha!

Além disso, o amor incondicional por esse serzinho só foi aumentando, aumentando, aumentado e continua aumentando, aumentando, aumentando, até explodir talvez! E esse sentimento tão sublime foi empurrando pra fora do meu coraçãozinho toda aquela tristeza, todo aquele cansaço (ops, isso não sei se foi embora não! rs) e todo aquele sentimento de incapacidade. E eu fui esquecendo as dificuldades, os momentos de choro e desespero. Em outras palavras, fui esquecendo todos os perrengues característicos dos primeiros meses com um bebê em casa.

Hoje, quase 1 ano e três meses depois do nascimento da Giulia, além de ter saudades da minha gravidez, tenho saudades dela petitica… Daquela menininha que sumia nos meus braços, que fazia uns gemidos engraçados, que tinha uma mãozinha minúscula e uma pele delicada que só! Que tentava chupar o dedo e não conseguia, que dormia grande parte do dia e que fazia um cocozinho cheirosinho, cheirosinho! Hehehe!

Mas, ao mesmo tempo, AMO de paixão a fase em que estamos vivendo e tento aproveitar cada segundo ao lado dela, brincando, gargalhando, amando, beijando e curtindo cada coisa nova que ela aprende! É bom demais! Porém, eu aproveito não só porque é bom, mas também porque SEI que sentirei saudades! Imagina quando ela estiver com cinco aninhos? Dez? Quinze? Vinte? Eu vou me lembrar com detalhes dos seus primeiros passos, das suas primeiras palavras, das suas travessuras, das suas risadas e vou morrer de saudades de tudo! Mas vai ser uma saudade boa, uma saudade cheia de carinho, amor, afeto e doçura, de quem sente falta porque viveu, sentiu e amou da forma mais intensa e sincera possível!

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A experiência da maternidade é fácil ou difícil pra você?

maternidade

Esses dias eu estava pensando… Como é possível as pessoas possuírem percepções tão diferentes a cerca da maternidade? Sem contestar o amor de uma mãe por um filho, porque para algumas mulheres a experiência da maternidade é tão simples, sublime e maravilhosa, enquanto para outras essa experiência é tão difícil?

Conheço mães que não pensam, em hipótese alguma, na possibilidade de ter um segundo filho. Algumas alegam que é trabalhoso demais, outras afirmam que o custo é muito alto e a maioria une os dois fatores, trabalho e dinheiro. Por outro lado, existem mulheres que amam tanto esse novo papel, o de mãe, que mesmo nas loucuras dos primeiros meses já se imaginam sendo mãe de dois, três, quatro, etc.

Só abrindo um parêntese, estou me referindo às mães, mas esse texto se estende aos pais também.

Fiquei pensando então que fatores influenciam essa experiência, em outras palavras, o que faz uma mãe ser tão feliz exercendo a maternidade e outra penar tanto? Como falei antes, não quero contestar o amor, sei que todas amam loucamente os seus filhos, mas é fato que assumir esse papel é muito mais fácil para umas do que para outras!

Bom, coloquei o tico e o teco pra funcionar e consegui encontrar cinco fatores principais (Claro que essa é só a minha opinião):

  • A situação financeira – Vocês têm que concordar comigo que quanto mais alto o poder aquisitivo de uma família, mais fácil é a tarefa de cuidar de uma criança (ou duas, três, etc.). Dependendo do quanto a família ganha, é possível contratar empregada, babá, cozinheira, massagista, mordomo, motorista, etc. Hahaha. Quem não tem muita grana, normalmente faz tudo sozinho, arruma a casa, faz almoço, janta, lava a louça, lava roupa, passa, vai no mercado, no banco e cuida integralmente da criança. Lerê! Lerê! Lerê, Lerê, lerê! Haha. Quem não tem carro então, a situação se complica ainda mais;
  • A personalidade da criança – Cada criança é única. Tem aquelas que dormem bem, comem bem, são quietinhas, obedientes… verdadeiros anjos (Nunca vi, nem comi (rs), eu só ouço falar)! Mas existem aquelas que têm dificuldade para dormir, são mais enjoadas para comer, são mais agitadas, mais ativas e arteiras (rs). Eu, por exemplo, nunca dei trabalho. Quando bebê dormia demais, não tive cólicas e era super calminha. Depois que cresci continuei tranquila, era estudiosa e muito parceira da minha mãe. Já meu irmão quando bebê era mais chorão, sofreu muito com cólicas e não dormia quase nada. Depois que cresceu só queria saber de ficar na rua com os amigos, não gostava de estudar e aprontava cada uma que deixava minha mãe de cabelo em pé. Hahaha. (Te amo mano!);
  • A sua própria personalidade – Quanto mais ansiosa, preguiçosa, teimosa, egoísta, difícil e de humor instável você for, mais difícil será. Mas isso pra tudo na vida né? Confesso que eu sou meio ansiosa, preguiçosa e chorona, então isso me atrapalha um pouco;
  • O apoio de amigos e familiares – Ter com quem contar é super importante! É muito mais fácil aguentar qualquer coisa nessa vida quando você tem o apoio das pessoas que ama! E não falo só de apoio emocional não, falo também de ajuda na prática, no dia a dia: ajudar a cuidar do bebê enquanto você resolve alguma coisa, ajudar com as tarefas domésticas de vez em quando, ficar com a criança para que você possa ir àquele compromisso importante, etc. No meu caso tenho a mamys que me ajuda muito, posso contar com ela pra TUDO! Pena que não moramos tão perto uma da outra, às vezes dá uma preguiça de atravessar a cidade pra deixar a Giulia na casa dela! Mas faz parte, o importante é que tenho uma pessoa de extrema confiança pra me ajudar a cuidar da baixinha e que a ama incondicionalmente, como se fosse sua própria filha. Tem coisa melhor?
  • A vida profissional – É fato que a experiência da maternidade é muito diferente para aquelas que trabalham fora e para aquelas que deixaram de lado a carreira para cuidar integralmente da casa e dos filhos! Outros fatores também influenciam, como a carga horária de trabalho e se você faz algo que te dá prazer ou não! Ainda não descobri o que é mais fácil: trabalhar fora ou apenas (apenas? Haha) cuidar da família. Tenho pensado muito nisso, porque vivencio as duas experiências a cada semana. Metade da semana trabalho no consultório, portanto levo uma vida de mãe-profissional-esposa-dona de casa como qualquer outra mulher que trabalha fora, e na outra metade da semana fico somente em casa cuidando de tudo, levando uma vida de mãe-esposa-dona de casa como qualquer outra mulher que tenha largado tudo para se dedicar ao seu bem mais precioso: a família! Ainda quero fazer um post falando sobre isso, mas já adianto… Tenho achado que ficar em casa é mais trabalhoso sabia?

É claro que esses foram os fatores principais que encontrei, mas existe um montão de outras coisas que podem influenciar esse sentimento em relação à maternidade: se o bebê foi planejado ou não, a idade dos pais, o estilo de vida, se é mãe ou pai solteiro, se são casados, etc.

Acho que o importante nisso tudo é tentar viver da melhor forma possível de acordo com a sua própria realidade! Não tem dinheiro pra empregada? Paciência! Se organiza melhor pra dar conta da organização da casa! Seu bebê tem personalidade forte? Tenta relaxar, respeitar suas características individuais e, se for o caso, encontrar novas formas de lidar com ele! Seu mau humor matinal está atrapalhando a sua relação com seu filho? Se esforce para mudar!!! E por aí vai…

A maternidade, apesar do seu lado B, não pode ser vivenciada como algo tão pesado, difícil, ou seja, como um verdadeiro fardo!  Um filho traz tanta coisa boa na nossa vida! Nos traz esse amor incondicional, a alegria de poder curtir cada fase do desenvolvimento de um serzinho tão pequeno e indefeso, a responsabilidade de cuidar e educar, a emoção de receber um carinho, um sorriso… Ter um filho é mágico!! Coisa de outro mundo!!!

Às vezes me pego reclamando de algumas coisas (Sim, sou humana!): “Queria dormir até mais tarde!”, “Que saco ter que fazer almoço”, “Meu Deus, a Giulia tá impossível! Vou surtar!”. Mas aí lembro de todas as vezes que imaginei o rostinho dela, do quanto desejei ela aqui comigo, nos meus braços…penso também em tudo de maravilhoso que Deus SEMPRE me proporcionou e do quanto sou feliz com a minha família e me dou conta de que não tenho motivos para reclamar e sim para agradecer!

O amor pela minha filha é o verdadeiro tesouro que angariei nessa vida, que nem o tempo nem as traças podem destruir! Uau, profundo hein? Hahaha! Mas é a mais pura verdade! Então bora cultivar esse amor né? Tô indo lá brincar com a baixinha!

Beijos com carinho!

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