Sobre a minha cesárea e o desejo por um parto humanizado!

cesárea

Há tempos quero falar sobre isso. Sobre essa ferida não cicatrizada. Sobre essa questão mal resolvida. Sobre esse bolo entalado na garganta. Sobre essa cesárea desnecessária. E, finalmente, após assistir ao documentário “O Renascimento do Parto”, criei coragem para colocar pra fora tudo aquilo que me incomodou e vem me incomodando desde o momento em que agendei o parto da minha filha.

Eu sempre quis um parto normal. A ideia de uma cesariana me fazia ter calafrios. Além de odiar passar por procedimentos cirúrgicos, sempre achei o parto cesáreo muito frio, agressivo e feio. A experiência e incentivo da minha mãe, que passou por dois partos normais, só reforçavam essa minha vontade, a qual existia mesmo antes de eu pensar em engravidar.

Quando me descobri grávida, continuei firme nas minhas convicções. Toda a vez que alguém me perguntava sobre o tipo de parto que eu gostaria de ter, a resposta estava na ponta da língua: Normal! Lembro que uma colega de trabalho, que já havia passado por uma cesariana, não conseguia entender esse meu desejo. Loucura! Ela dizia. Pra quê sofrer? Pra quê sentir dor? A recuperação da cesárea é ótima! E blá, blá, blá. Ao mesmo tempo em que ela não entendia o meu desejo, eu não entendia a paixão que ela tinha por um parto cesáreo. Mas ok, eu respeitava. Assim como respeitei e continuo respeitando quem “opta” por isso. Nunca quis fazer a cabeça de ninguém. Até porque sempre rola aquela comparação besta e sem sentido de menos mãe X mãe perfeita. (Talvez essa vontade de “fazer a cabeça” de alguém – no bom sentido – tenha mudado após eu assistir o filme, mas não vou entrar no mérito da questão, pelo menos não agora).

Ao longo da minha gravidez, acreditem se quiser, eu e meu obstetra mal tocamos no assunto “parto”. Eu tinha medo. Desde que entrei no consultório dele, desde que tive a primeira consulta, fiquei com a impressão de que ele curtia esse lance de agendar dia e hora pro bebê nascer. E eu morria de medo de estar certa. Morria de medo de levar um belo balde de água fria. Morria de medo de ser enrolada. De ser passada pra trás. Burra! Tola! Ingênua! Onde que eu estava com a cabeça? Óbvio que era importante deixar claro quais eram as minhas preferências e se ele não fosse a favor, paciência, era só procurar outro médico! Parece simples, mas só hoje tenho a maturidade e o conhecimento pra questionar, pra me impor e ir atrás do que eu realmente quero. Naquela situação, naquele contexto, eu não tinha! E o que aconteceu? Eu estava certa, eu fui enrolada, eu fui passada pra trás. Demorei pra perceber. Demorou pra cair a ficha. Mas ela caiu e eu me dei conta de tudo o que eu perdi: o meu poder de escolha, o controle sobre o meu corpo e a sensação única de parir a minha filha e de ser protagonista dessa história.

No final da gravidez, com aproximadamente 36 semanas, ele me disse que só saberíamos o tipo de parto que seria possível realizar no decorrer das próximas semanas. Se estivesse tudo ok, dava pra pensar num parto normal. Bullshit! Como assim se estivesse tudo ok? Estava tudo ok! Mas, naquela altura do campeonato, as únicas coisas que eu conseguia pensar eram: Será que está tudo ok? Será que continuará tudo ok?

Um pouco antes de completar 39 semanas, tivemos nossa última consulta. A minha pressão estava mais alta nos últimos meses (na época fiquei meio apreensiva, mas hoje sei que não era nada preocupante e que indicasse, de fato, uma cesárea. Eu não era paciente de risco. Nunca fui). Meu médico afirmava que pressão alta era perigosa em casos de partos normais. Óbvio que eu acreditei. Até porque, quantas vezes eu já havia lido em livros, matérias e artigos científicos os ricos da pressão alta na gravidez?! Quantas vezes ouvi falar de pré-eclâmpsia, eclâmpsia ou qualquer intercorrência relacionada à pressão arterial? Quantas vezes ouvi histórias sobre a amiga da prima da vizinha que morreu por causa disso? Quantas vezes me amedrontaram? Não foram poucas! (Que fique claro que não estou querendo dizer que pressão alta nunca traz riscos para mãe e para o bebê e que o parto normal deveria ser indicado indiscriminadamente. Existem sim riscos e complicações e a cesariana salva vidas diariamente. Mas esse não era o meu caso. Minha gravidez foi totalmente tranquila e saudável. A oscilação na pressão arterial foi um acontecimento perfeitamente normal).

Bom, mas apenas esse argumento não bastava! Além disso, a Giulia não estava encaixada, eu não tinha dilatação (óbvio, não era o momento dela nascer), entraria em trabalho de parto tardiamente – por ser primeira gestação – e era bem provável que eu não conseguisse parir, tendo que recorrer a uma cesariana de qualquer forma. Sim, ele conseguiu prever tudo isso! Só não me lembro de ter visto a bola de cristal no consultório!

Pra fechar com chave de ouro, ele chegou pra mim e pro meu marido e disse: “O que estou indicando pra vocês, eu indicaria pra alguém da minha própria família. Não tem porque esperar, sofrer e correr o risco de algo ruim acontecer.”

Pronto. Ele nos ganhou! Estava certa de que marcar a cesárea era o que eu deveria fazer. Ele tinha o conhecimento. Ele tinha a experiência. Ele sabia o que era melhor pra mim e pra minha filha. Quem era eu pra questioná-lo? Acreditei sim em cada palavra.

Pra falar a verdade, uma parte de mim continuava se questionando: Será que estou fazendo a escolha certa? Até contei um pouquinho sobre isso aqui nesse post (reparem em como eu ainda não havia me dado conta de que tinha sido mais uma vítima do atual sistema obstétrico brasileiro, extremamente tecnocrata e desumano. Como falei antes, a ficha demorou pra cair).

Mas, questionamentos como esse eram massacrados pela minha grande inexperiência, pela minha falta de conhecimento e pelo meu excesso de ansiedade. E somado a tudo isso, estava a soberania do médico. Como fugir? Como voltar atrás? Eu já estava envolvida até o pescoço com essa nova realidade. Eu já não tinha poder nenhum sobre as minhas escolhas (ou achava que não tinha). Era como se eu tivesse sido totalmente engolida pela areia movediça e não fosse mais possível um resgate.

Assim, a cirurgia foi marcada para as 15h do dia 11/04/2012.

Antes de tudo, quero dizer que não tenho ódio do obstetra e nem o considero como vilão da história. É claro que ele tem a sua parcela de culpa. Mas o problema não está centrado apenas na figura do médico cesarista, é uma gama de fatores que influencia, alimenta e dá força a esse sistema obstétrico falho. Seria muito mais fácil jogar toda a culpa em cima dele, mas não posso. O deixo apenas com um pedaço do fardo.

Bom, falando um pouco (ou muito) sobre o dia em que a minha filha nasceu, posso listar uma infinidade de coisas que me deixaram muito chateada e que me fizeram questionar se um momento tão perfeito, único e sublime deveria ser vivenciado daquela forma.

Pra começar, nem mesmo o horário da cirurgia eu pude escolher. Meu médico só fazia partos à tarde, de manhã ele precisava atender as demais pacientes no consultório. Tive que engolir a seco essa decisão, que – por N motivos – não me agradou nem um pouco.

Em segundo lugar, fiquei extremamente indignada com a longa espera no centro cirúrgico. Foram incontáveis horas longe do meu marido. Enquanto eu estava sozinha, ansiosa e apreensiva lá dentro, ele estava sozinho, ansioso e apreensivo lá fora. Sem contar que não fazia ideia do que estava acontecendo comigo e do porquê de tanta demora. Eu entrei no CCO às 13:15 e meu parto aconteceu às 15:10, que foi quando ele pode entrar e ficar ao meu lado. Achei tudo aquilo revoltante demais, de uma falta de humanização e sensibilidade absurda. Mas não tive forças para questionar, não tive argumentos para me impor, não consegui remar contra a maré. Mais uma vez surgiam pensamentos do tipo: Quem sou eu pra questionar as regras do hospital? É assim porque tem que ser assim e ponto. Preciso aceitar!

Eu passei as duas horas anteriores ao nascimento da minha filha ora sozinha ora com profissionais totalmente alheios a mim e a ela, os quais foram – muitas vezes – inconvenientes e invasivos. Tudo o que eu precisava era do carinho, apoio e presença das pessoas que amo. Tudo o que eu precisava era de paz e quietude. Mas isso me foi negado.

As cenas seguintes são parecidas com as da maioria das mulheres submetidas a uma cesariana: sala inóspita, infinidade de aparelhos, luzes fortes, medicamentos e anestésicos, pano azul cortando a visão, braços abertos, grande plateia (GO, pediatra, instrumentador, anestesista, enfermeira…), frio, cheiro de carne queimada, sensação de empurra-empurra, bebê sendo retirado e segurado como um simples pedaço de carne, bebê sendo apresentado por um cara (pediatra) que você nunca viu na vida, bebê sendo retirado de perto da mãe em poucos segundos, conversa fiada entre os profissionais, sutura de diversas camadas de tecido, intermináveis horas na sala de recuperação, longe de TUDO e de TODOS, principalmente daquele serzinho que mais precisa de você, do seu colo, do seu calor, do seu seio.

Apesar de ter tido uma recuperação tranquila, considerando o porte da cirurgia, eu simplesmente odiei ter sido submetida a todos esses procedimentos. Odiei ficar longe do meu marido. Odiei o cheiro de carne queimada. Odiei passar horas a fio não sentindo minhas pernas. Odiei ser afastada da minha filha. Odiei ter tido uma tremedeira intensa, por conta da anestesia, e mal poder segurá-la nos meus braços nas suas primeiras horas de vida. Odiei não conseguir dar os primeiros banhos. Odiei ter que cuidar de mim enquanto eu queria apenas cuidar dela.

A ferida que já estava grande, ficou ainda maior. Tentei florear esse momento. Tentei entender, me defender, me perdoar. Tentei dizer pra mim mesma que o importante é que estávamos bem e com saúde. Tentei ignorar a extensão e a profundidade do impacto do nascimento na vida de qualquer ser humano. Tentei me convencer de que o meu amor e a minha dedicação por ela tornariam tudo mais leve com o tempo. Tentei ser forte, mas fui fraca. Fiquei ofendida com comentários de pessoas contra a cesariana. Fiquei doída ao receber indiretas a respeito da “minha” escolha – que na verdade nunca foi minha. E, como um mecanismo de defesa, repeti pra mim mesma que a forma como a minha filha havia nascido não fazia diferença, eu não era menos mãe por isso (conhecem esse discurso?) e nem a amava menos do que uma mãe de parto normal ama seu filho.

Mas o fato é que a forma como ela nasceu era SIM importante pra mim. Eu também não aceitava aquela escolha. Eu também não conseguia digerir. Estava machucada e era exatamente por isso que eu me ofendia tanto quando algumas pessoas cutucavam a ferida.  Dedo em ferida cicatrizada não dói. O problema não estava na insensibilidade alheia, como eu costumava pensar, e sim na minha incapacidade em superar tudo aquilo.

Mas eu costumo dizer que o tempo é sempre o melhor remédio pra tudo nessa vida. Com o passar dos meses, o meu sentimento em relação à minha desnecesárea foi se tornando menos intenso e desagradável e eu comecei a ver uma luz no fim do túnel. Pensei comigo mesma: ok, sofri com essa experiência, mas não posso voltar no tempo. O que devo fazer então pra vivenciar uma experiência diferente no futuro?

A Giulia tinha aproximadamente oito meses e eu já estava certa de que queria ter outros filhos. Comecei, então, a pesquisar tudo sobre VBAC (parto vaginal após cesárea), parto humanizado, doulas, violência obstétrica, etc. Quis me preparar (por mais que uma próxima gravidez demorasse pra acontecer), me munindo de todas as informações possíveis. E consegui aprender muita coisa, conheci muitas histórias bacanas e me senti extremamente esperançosa.

Nessa época percebi que eu era totalmente leiga no assunto. Não sabia nada sobre parto. Foi aí que me dei conta de que se eu tivesse conseguido o meu tão almejado parto normal, a chance de passar por procedimentos desnecessários e agressivos, sendo vítima de violência obstétrica, era grande. Confesso que, apesar de querer muito um parto normal, eu nunca havia pensado em como seria exatamente esse parto. Apenas duas coisas eram certas naquele momento: seria realizado em um hospital e eu gostaria de receber anestesia. Como a grande maioria das mulheres, nunca havia escutado falar em violência obstétrica e não sabia, tampouco, que muitas das intervenções realizadas por aí são, em grande parte, desnecessárias, invasivas e desrespeitosas, como a episiotomia, algumas manobras de expulsão, a lavagem intestinal, a ruptura da bolsa, o uso de ocitocina sintética, etc. Não compreendia o conceito de parto humanizado na sua totalidade.

Levando tudo isso em conta, até hoje eu me pergunto: Será que um parto normal, independente das condições em que ocorresse, teria me realizado como mulher, como mãe? Será que a experiência teria sido valiosa? Será que eu teria apenas coisas boas para lembrar? Será que eu teria amado passar por tudo aquilo?

Não é à toa que muitas mulheres odiaram dar à luz aos seus filhos pelas vias naturais. Não é a toa que ouvimos relatos horríveis de partos normais. Não é à toa que muitas recorrem a uma cirurgia abdominal numa segunda gravidez.

Porque não basta sair pela vagina! A questão é muito mais ampla. E só agora eu pude entender! Assistir ao filme “O Renascimento do Parto” me ajudou muito a esclarecer esse aspecto. É preciso que o nascimento de um bebê seja um momento repleto de respeito, amor, empatia, carinho e cuidado, seja pela mãe, seja pelo recém-nascido.

Antes eu não conseguia entender a escolha de uma mulher por um parto sem anestesia, por um parto na água, por um parto domiciliar, por um parto humanizado… Parecia um retrocesso pra mim! Era como jogar fora todas as conquistas históricas da medicina. Era como abrir mão de toda a segurança, praticidade e comodidade que a vida moderna nos trouxe. E só hoje consigo entender o que uma mulher busca quando opta por um parto natural humanizado. Porque hoje vejo o belo como ele é: belo (e não feio e irresponsável como nos é passado). Porque hoje tenho a mesma vontade, o mesmo desejo, o mesmo propósito.

Tudo o que mais quero nessa vida é um dia ter a oportunidade de vivenciar esse momento da forma mais bela, respeitosa e natural possível. Tudo o que mais quero é sentir que chegou a hora de dar a luz a um filho (Como será a louca e doce sensação da surpresa: “É hoje”?). Quero sentir cada contração. Quero sentir meu corpo se preparando a todo o momento para o grand finale. Quero sentir cada dor, cada alívio, cada emoção, cada sentimento. Quero ter certeza de que sou sim capaz de parir. Quero me sentir poderosa, corajosa, vitoriosa. Quero me sentir humana. Quero me sentir mulher. Quero fazer uso dos meus hormônios do amor. E quero receber a todo instante o carinho, amor e apoio das pessoas que mais amo nesse mundo.

E que tudo o que eu desejo ocorra em um ambiente de muito respeito, seja ele onde for!

Dito tudo isso, gostaria de mudar um pouquinho o foco da conversa. Gostaria de falar sobre algo que mexeu demais comigo quando assisti ao documentário, que me fez chorar como um bebezinho, que me fez sentir egoísta e que me fez ter ainda mais certeza de que devo buscar um parto digno numa próxima gravidez.

Quero falar da minha filha.

Quando assisti às cenas dos bebezinhos nascendo através de cesáreas eletivas e/ou sendo submetidos a procedimentos absurdamente invasivos, desnecessários e – porque não? – cruéis, senti uma dor sem tamanho. Só conseguia pensar: Como permiti que minha filha passasse por tanto desconforto, trauma e sofrimento já nas suas primeiras horas de vida?

Cheguei à doída conclusão de que fui egoísta. Eu não respeitei o momento dela. Não esperei ela dar sinais de que estava pronta para vir ao mundo. Não pesquisei sobre a real necessidade de alguns procedimentos tidos como padrões. Não lutei e nem, tampouco, garanti que ela tivesse – assim que nascesse – o meu colo, meu calor, meu carinho, meu seio, minha segurança…

O nascimento foi o primeiro acontecimento importante da vida dela e eu não permiti que ela o vivenciasse de forma humana, afetiva e respeitosa. A psicóloga Laura Uplinger fala algo muito interessante e verdadeiro sobre isso: “O nascimento clássico hospitalar é de uma violência… com o frio, com o manusear daquele neném, com o barulho, a luz. É um choque tão grande, que a primeira transição forte de vida já vem com o marco da violência”.

E a gente não para pra pensar nisso, não é mesmo? A gente não para pra pensar que aquilo que é tido como normal/natural/habitual é, muitas vezes, dispensável e, principalmente, nocivo. A gente não para pra pensar que detalhes simples como o som, a luz e a temperatura podem influenciar no momento do nascimento. A gente não para pra pensar que a separação abrupta da mãe é extremamente prejudicial para o bebê. A gente não questiona se o cordão umbilical precisa ser cortado imediatamente. A gente não questiona se é necessário mesmo enfiar um tubo interminável no nariz e na boquinha do neném para aspirar líquidos e secreções.  A gente não questiona se é necessário tirar o bebê do colo da mãe para realizar o teste de Apgar. A gente não questiona se o banho é imprescindível no primeiro dia de vida. A gente não questiona se precisa de tanta urgência para tirar as medidas do bebê. A gente simplesmente aceita. É assim e pronto.

E isso é muito triste!

Felicidade é assistir às cenas de parto humanizado e se deparar com um bebê sereno e feliz, pois lhe foi oferecido todo o amor, respeito, carinho e cuidado dos quais ele precisava.

Essas cenas me tocaram de forma absurda. Tanto que, no dia em que assisti ao documentário, quando cheguei em casa, a minha única vontade era de acordar a Giulia e lhe dar muitos beijos e abraços apertados. Mas me contive. Deitei ao lado dela, beijei seu rostinho de leve e lhe pedi perdão.

Desde então estou com uma sensação boa, um misto de felicidade e esperança.

Não sei o que nos espera no futuro. Apenas sei que a sede por um parto com amor não é apenas por mim e pelo meu futuro filho. É, principalmente, por ela, pela minha pequena Giulia.

Tudo o que mais quero é mostrar a ela que existe sim uma forma LINDA de nascer e que ela é mais que possível: ela é real!

A todos aqueles que não assistiram ao documentário, digo apenas uma coisa: ASSISTAM!

30 pessoas curtiram.

Psicóloga. Apaixonada por cinema, viagens, gastronomia e decoração. Mamãe da Giulia.

Comentários

  1. fernanda Bugs Diz::

    Sim, longo e profundo…Eu li o texto inteiro! Compartilho de sua dor, magoa e questionamentos….Me sinto ainda pior quando lembro que: Fui no caminho certo, e quase nada deu certo….! Minha história é um pouco diferente…o bebe não estava bem, a mãe não estava bem..ninguém sabia ao certo o que seria e como seria! Mesmo assim, o desrespeito foi enorme, a falta de carinho e atenção as necessidade de uma mãe e um filho!
    Não posso escrever mais por que entrarei denovo no buraco escuro que é o nascimento de um filho de cesárea….

    Mas…
    Os filhos em um todo vem para fazer nascer o melhor de nós né Pri… Levamos anos para entender, teimosas ansiosas…e quando ele nasce…Plim…nós amadurecemos!

    Também espero que no segunda seja diferente….!]Beijo Pri…
    Amo seu blog!

  2. Cid@ Diz::

    Nossa gente lento seu texto e tantos outros me sinto uma ET, tive um parto cesáreo e foi tudo tão tranquilo as pessoas que me acompanharam (GO, anestesista, enfermeiro, pediatra etc) fora muito atenciosos comigo, meu esposo não acompanhou na sala porque tem medo, sei que cada um cada um, mas pela minha experiência que Graças a Deus foi bem tranquila eu faria sim tudo de novo, por muitos relatos de sofrimento no parto normal e por achar um grande sofrimento tanto do bebê como da mãe em alguns casos, vejo que a escolha que fiz foi a melhor, não quis “pagar” pra ver.

    Gosto demais do blog e espero que o desejo do seu coração seja realizado com muita tranquilidade.

    gde beijo

  3. Camila Diz::

    Nossa amiga, que lindo. Me emocionei muito!
    Força que a gente vai sim ter partos humanizados e naturais quando vierem mais bebês pra tchurma!
    Amo vc!

  4. Cláudia Diz::

    Li o post todo! Emocionante…
    Eu passei por isso, no pre natal todo o medico e eu nunca tocamos no assunto parto tb, me lembro que até na ultima consulta com 36 semanas ele ainda não havia me falado nada sobre as opções, mas era uma gravidez super tranquila… estava tudo bem. Mas eu passei a perna nele, no doutor rsrsr… Quando senti q era a hora corri pro hospital e esperei o parto normal, pelo SUS eles fazem cesária somente se necessario, foram 7 horas em trabalho de parto, dores horriveis quando os medicos mandavam fazer força a cada contração… eu tb não sabia nada, enfim, minha filha nasceu e foi tudo bem, me senti muito corajosa, pude cuidar dela, dar os primeiros banhos e curar o umbigo…
    Mas da segunda vez eu havia lido muito sobre partos, ainda não curtia a ideia do corte na barriga, estava me preparando para o segundo parto normal, li um texto que o parto acontecesse na cabeça, que quando sua cabeça estiver preparada o nascimento vai acontecer… e foi assim! Foi mágico, lindo! Naquele dia de manha quando me despedi do meu esposo ( ele ia pro trabalho) eu disse: Vai ser hoje! Eu estava preparada, era a 37ª semana… cuidei da casa, arrumei as coisinhas do bebe e esperei a hora… as 6 hs da tarde começou a leve colica… as 7 hs as contrações estavam ficando mais fortes, mas nem se compara a dor que tive na primeira vez quando os medicos mandavam fazer força… esperei a dor apertar, entrei no chuveiro, deixei cair bastante agua quente nas costas pra amenizar a dor, ajudou muito… as 7:50 hs da noite disse pro meu marido, vamos, é agora! No percurso para o hospital sentia meu corpo empurrar o bebe a cada contração, eu não precisava fazer força, meu corpo fazia, empurrava… a natureza é linda! Cheguei no hospital as 8 hs da noite, confesso que não consegui andar dois passos, tiveram que me buscar de cadeira de rodas, acho que esperei tempo demais em casa, mas enfim… cheguei e fui pra sala do medico que ja estava me esperando, quando ele olhou e disse: vamos ja esta nascendo! Corremos pra sala de parto, foi tudo tão rapido, meu filho nasceu as 8:15… não teve episiotomia como da primeira vez, mas confesso que preferia, o bebe nasceu muito rapido e tive que levar pontos… dos resto foi tudo tranquilo. Uma evolução muito rapida, quase nasceu em casa …. rsrsrs Mas não me arrependo, dizem que o primeiro é mais dificil, realmente as dores que senti da primeira vez fora horriveis, não desejo pra ninguem, mas o segundo parto pra mim foi magico. A dor não chegou nem na metade da primeira vez, no dia seguinte ja me deram alta e voltei pra casa pra cuidar dos meus filhos…

  5. Ana Paula Diz::

    Você descreveu o que sinto a meses, a culpa de ter feito a escolha errada, segundo o obstreta minha filha nao estava encaixada, era muito grande e minha pressão estava alta e que eu teria que fazer uma cesária, eu perguntei pra ele que dia. Ele me respondeu como se estivesse dizendo aos filhos que o filme já estava pra começar. – Agora mesmo, só terminar de atender a próxima pessoa, vai lá e se interna.
    depois que ele disse isso eu fiquei assustada temendo pela pressão alta, não consegui perguntar mais nada, falar mais. Apenas fui lá e me internei. Passei o dia do nascimento da minha filha, sem a minha filha e isso dói, dói demais., me culpo todo dia e toda hora,. Uma cesária não era minha escolha, mas tudo levou a isso, e me sinto culpada por tudo.

  6. Ana Paula Custodio Yoshida Diz::

    Amei!
    Meu parto aconteceu em agosto de 2012 na Inglaterra. Após 23 horas de contrações dei a luz de forma natural sem intervenção de nenhuma droga anestésica. Minha filha veio para o meu colo milésimos de segundos após sair de dentro de mim e desde entao nao saiu de perto de mim nem por um segundo. Lá, eles nao dao banho nos primeiros dias para não prejudicar a oleosidade natural da pele que protege o bebe.
    Foi um parto muito sofrido claro, pois nunca imaginei viver aquela situação sem nenhuma anestesia porém hoje de volta ao Brasil digo que meu proximo bebe tambem nascerá ( assim espero) de parto natural.
    Apenas uma observação: O bebe não sofre no parto normal como a colega escreveu acima, ele faz sim muuuita força para nascer porém esse é o trajeto natural da vida!

    Amei seu depoimento, me emocionei e me sensibilizo com o seu relato.
    Parabens pela coragem!
    Um carinhoso abraço
    Ana Paula

  7. Ana Paula Faoth Diz::

    Oi Pri, Léo dormiu e eu vim ler , li tudo, terminei com o coração apertado, o olho cheio de lágrima e uma única certeza: Tenho dois filhos, e nenhum dos meus partos foi humanizado. A 13 anos atrás a Evelyn nasceu de parto vaginal, mas nem de longe natural, sofri muita violência obstétrica, me fizeram lavagem, recebia toques a todo instante, me colocaram ocitocina, o médico responsável se ausentou e me deixou com 2 enfermeiras que me fizeram ir andando pra mesa de parto com a Evelyn nascendo no meio das minhas pernas, uma delas subiu em cima de mim pra empurrar o bb, a outra viu o bb enrolado no cordão e me cortou sem dó, 24 pontos! Talvez isso tenha salvado a vida da minha filha, a 13 anos penso que isso foi para dar passagem e ela não sufocar…levaram ela sei lá pra onde, ela nasceu meio dia e eu conheci ela só as 15 hr, fiquei sozinha em trabalho de parto das 8 as 12 hr, e depois sozinha em recuperação das 12 as 15 hr, recebi alta com 24 hr pós parto, pois era Sus e eu precisava liberar meu leito pra outra mãe, vim embora amedrontada e traumatizada. Os anos passaram e eu tive uma 2º gravidez, mtas vezes comentei com vc do desejo da minha família pelo parto cesárea e eu msm depois disso tudo, tinha vontade de tentar um parto natural, dessa vez, sem violência, mas o meu médico assim como o seu, tbm achou mtos motivos pra eu não fazer PN, nas últimas semanas minha pressão tbm subiu, de 11/6 para 13/9 rsrsrs, e isso era sim motivo para ficarmos alerta e agendarmos a cesárea, e lógico que Léo tbm não estava encaixado e eu tbm não tinha nem um sinal de dilatação, sendo assim, cesárea marcada para as 7 da manhã, pq o meu GO só fazia parto de manhã! Só que…para surpresa geral, um dia antes, eu entrei em trabalho de parto, e por dentro eu estava radiante pq no fundo acho que minha vontade era o PN msm…Fomos para o hospital, um hospital que só tive boas referências, onde fiz visita na maternidade, onde me encantei pela equipe carinhosa e onde mais uma vez oque aconteceu? Violência Obstétrica! Agora não era Sus e msm assim, fizeram de mim oq bem entenderam, se aproveitaram da minha fragilidade no momento da dor e mentiram pra mim, meu coração de mulher sabe, nunca vou ter a prova, mas EU sei que fui enganada e isso me corta a alma, me mantive o dia todo em casa com dor e fui pra lá quando não aguentava mais, no parto da Evelyn fui andando tranquilamente e cheguei com 5 de dilatação, daí no parto do Léo eu chego mal parando de pé, com contração de 3 em 3 min, ritimadas, pra médica de plantão me olhar na cara e dizer: Mãe vc está com 3 cm de dilatação, se vc quiser tentar o PN vc pode ficar aqui, posar no hospital, mas esse bb só nasce amanha meio dia, isso era 21 hr. É ou não é pra desencorajar qqe mulher? Aí ela volta e diz: Ahhh e a anestesia só, uma hr antes do parto, e não esqueça, enquanto isso, bb em sofrimento, porem se vc quiser a cesárea, seu médico está esperando eu ligar confirmando e ele corre pra cá! Meu marido em pânico com a palavra “sofrimento” e eu em pânico com toda aquela dor, aceitei a cesárea e mandei ligar pro médico, que veio correndo como se não houvesse amanhã, mas pera lá, o meu trabalho de parto não estava sem evolução? Meu bb não ia nascer só no outro dia? para que a pressa? Eu fui anestesiada com apenas 5 hr de jejum.Hj 5 meses depois, de cuca fresca eu tenho certeza que eu devia estar com um trabalho de parto avançado, uns 7-8 de dilatação, pq sim, eu conheço a dor, faz tempo, mas eu nunca esqueci, e me privaram de ter meu PN, o motivo? talvez preguiça de ficar assistindo uma mulher dar a luz sendo que era mais comodo chegar e resolver tudo em 1 hr.
    Enfim, desculpe o texto longo, esses são os meus relatos que provam o qto vivemos num país de sistema falho quando o assunto é parto =(

  8. Náy Diz::

    Passei toda a minha gestação pesquisando tudo sobre parto, violência obstétrica e me sentia uma mulher empoderada,até que, com exatas 39 semanas, a Sofí pesando bem menos de 3 kg pela última US, o go decide marcar a cesárea, alegando que “ela podia passar do tempo de nascer”, eu, que sabia muito bem que isso era balela, fiquei muda, não consegui nos defender(eu e a Sofí)e me submeti a vontade do médico.Foi ele, inclusive, quem escolheu a maternidade, e até a data!Eu não opinei em nada, mesmo a data e a maternidade não sendo o que eu queria(eu nem conhecia a tal maternidade!)Fiquei arrasada,mas não tive coragem de reagir.O marido ficou insatisfeito.Também não era nada do que ele queria.Na hora do parto, a Sofí nasceu chorando e já fazendo biquinho.Toda a equipe médica achou lindo e engraçadinho,mas depois de ler esse post, tenho vontade de chorar ao lembrar dessa cena.Minha filha estava sofrendo muito e eu menosprezei isso.Ela nasceu bem pequena, foi o baby mais magro do hospital: 2,570 kg e 47cm.Apesar da forte icterícia,só deixaram ela uns minutos no banho de luz e hoje, aos 40 dias após o nascimento, tive que submetê-la a exames de sangue para verificar o problema, já que a icterícia continua forte e não passa.Provavelmente ela terá que ficar internada ou até ser submetida a transfusões de sangue.Quanto a mim,dois dias após o parto senti uma dor de cabeça horrííívelllll, provavelmente devido a cuidar sozinha da minha filha na maternidade após a cesárea, já que o meu plano era enfermaria e não me permitiram acompanhante!A cicatriz também ficou horrível.O go fez um corte imenso e desnecessário, acabando com a minha pouca auto-estima.E para piorar tudo, 49 dias após o parto, ainda estou com forte sangramento!!!Amanhã tenho consulta com o go, vamos ver o que ele fala”

  9. Karine Diz::

    Oi Pri!

    Tive o Daniel por cesárea tb, ele adiantou e nasceu de 37 semanas. No dia cheguei no hospital para fazer apenas um exame e poucas horas depois ele já tinha nascido. Minha go falou desde a metade da gestação que eu não poderia ter parto normal pelo meu tamanho e o tamanho do bebê.. que nasceu com 51 cm e 3,560 kg e desde aquele momento acabei não pesquisando mais sobre o assunto. Apesar da minha recuperação ter sido super tranquila, ainda sinto peso na consciência de pelo menos não ter nem tentado o parto normal que acredito ser a forma menos traumática no bebê vir ao mundo. Bjos !!

  10. Danielle Diz::

    sem palavras… me emocionei muito!!!

  11. Ana Clara Diz::

    Oi Privilla que texto emocionante, é a mais pura verdade, apesar da minha cesariana ter sido tranqüila, me arrependo de não ter tido a coragem de esperar a hora da minha filha, na verdade eu estava com muito medo de esperar mas e algo de mal acontecer a ela, pois a minha pressão subiu um pouco. Mas espero que na próxima possamos contar com um sistema de saúde mais humano para nos e nossos bebês. Bjs e parabéns.

  12. Juliana Diz::

    Graças a Deus minha experiência com cesárea foi a melhor possível e faria novamente com toda certeza! Respeito a escolha de cada um, mas não acho que ninguém deveria se sentir culpado por ser parto normal ou cesárea.. isso não torna a mãe menos mãe nem o filho menos filho!! cada situação é uma situação e você pode fazer daquele momento incrível… Quanto a presença de familiares nesse momento com certeza é indispensável!!!!

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