O Nascimento da Minha Princesinha – Parte III

Ainda na sala de recuperação comecei a sentir os desconfortos e efeitos da anestesia! Em primeiro lugar comecei a pirar com o fato de não sentir nada da cintura pra baixo. Acho que essa foi a sensação mais terrível e esquisita que já senti até hoje. Eu queria mexer minhas pernas, mas não conseguia, queria sentí-las, mas também não conseguia. Era como se tivessem as amputado! Sério, não é exagero da minha parte! Pode até ser que pra algumas pessoas isso não incomode tanto, mas pra mim foi simplesmente horrível! Odiei e não quero sentir isso nunca mais! Pra piorar a situação comecei a tremer absurdamente, era algo incontrolável! Até as enfermeiras começaram a achar estranho! Elas perguntavam se eu estava sentindo frio, mas não era de frio que eu tremia! Na verdade, estava morrendo de calor, mas meu tremor era intenso!

De qualquer forma, fui encaminhada pro quarto! Quando cheguei, a pequena ainda não estava lá, mas chegou minutos depois, toda lindinha, de banho tomado e usando a roupinha que a mamãe tinha separado! Coisa mais fofa! Nesse momento o quarto já estava lotado de visitas, todos babando na Giulinha!

E eu estava me sentindo péssima! Tava lá deitadona, sem conseguir me mexer e sem conseguir controlar meu tremor! O negócio era tão intenso que colocaram a Giulinha no meu braço e tiveram que tirá-la logo em seguida, pois eu não conseguia segurá-la de tanto que tremia e, consequentemente, a sacudia! Me sentia frustrada, incapaz…queria sair daquela cama e cuidar da minha filha!

Quando fiquei sabendo então que o efeito da anestesia demoraria em média cinco horas pra passar me desesperei! Não aguentava mais ficar deitada e, principalmente, não sentir as minhas pernas! Queria que todo esse desconforto passasse LOGO!

Por um lado, foi ótima a quantidade de pessoas nos visitando no primeiro dia! Foi tanta conversa, risada e babação em cima da Giulia, que as horas passaram super depressa!

Bom, por causa do meu tremor e também por causa do sono intenso da Giulia (a pequena não acordava de jeito nenhum), não tentei amamentá-la logo que fomos pro quarto! Fui tentar somente à noite, mas infelizmente não obtive sucesso!

Por volta das 23:30 levantei da cama pela primeira vez! Ufa, já estava sentindo minhas pernocas! Ah, e o tremor também já havia passado! Me sentia novinha em folha (Uh!). Uma enfermeira me ajudou a tomar um banho rápido, o que fez eu me sentir uma nova mulher! Hahaha! Sério, como foi gostoso tomar aquele banho e colocar meu pijama limpinho! Quanto à minha cicatriz, meu médico usou um fio que é usado em cirurgia plástica e que o próprio organismo absorve (não é cola, é fio mesmo). Portanto, não é necessário fazer curativo e muito menos tirar os pontos! Perfeito, uma preocupação a menos! Só limpei bem com água e sabonete no próprio banho e usei uma calcinha um pouquinho mais alta (mesmo a cicatriz sendo baixíssima)!

Depois do banho tentamos dormir, mas a Giulinha resolveu acordar e passou a madrugada inteira chorando. Como pais de primeira viagem, não tínhamos a mínima ideia do que fazer! Era desesperador! Nada fazia a pequena se acalmar. Uma enfermeira sugeriu que deixássemos ela no berçario àquela noite, assim poderíamos descansar! Mas essa ideia parecia absurda pra mim. Não conseguia me imaginar deixando minha filhinha super indefesa num lugar que sabe lá Deus se iriam cuidar direitinho dela…hehe! E parecia muito egoísmo da minha parte! Como assim? Eu tinha me tornado mãe, era minha obrigação passar por isso! Minha filha precisava de mim naquele momento! Não critico quem faz isso, mas pra mim não dava! Mesmo cansada, não queria desgrudar da minha filhota!

Bom, mas a certa altura da madrugada a Giulinha resolveu finalmente dormir e o papai foi no embalo. Só que pra mamãe aqui as coisas foram um pouco diferentes. A FICHA CAIU! De repente bateu um desespero, um medo absurdo! Pensava: Meu Deus! O que eu vou fazer? Como vou cuidar desse bebezinho tão frágil? Será que eu vou dar conta? Será que vou ser uma boa mãe? Mil coisas se passaram na minha cabeça e eu tinha um sentimento estranho dentro de mim, me sentia sozinha, mesmo tendo ficado rodeada de pessoas queridas durante todo o dia, mesmo estando ao lado do meu marido, um homem super querido e companheiro e mesmo tendo finalmente a minha filha nos meus braços! Não sei de onde veio esse sentimento, só sei que naquele momento senti uma solidão, um vazio e um medo sem tamanho! Comecei a chorar intensamente! Acordei meu marido e disse que tava me sentindo triste e com medo! O coitado não entendeu nada direito, na verdade nem eu entendia! Mas eu tinha que acordá-lo pra dividir isso com ele. Queria desabafar, receber um carinho e ouvir da boca dele que daria tudo certo! Que ficaríamos bem!

Depois de muito chororô, consegui me acalmar e finalmente dormi!

O segundo dia foi novamente de bastante visitas e a madruga de bastante choro da pequena. Não via a hora de vir pra minha casa, dormir na minha caminha, entrar na nossa rotina e cuidar da nossa pequena no conforto do nosso lar! Fala sério né, nada melhor do que a casa da gente!

O terceiro dia chegou e eu tava toda faceira porque viria pra casa! Mas recebi um balde de água fria quando uma enfermeira olhou pra Giulia e disse que estava achando ela muito amarelinha! Essa mesma enfermeira chamou a pediatra de plantão e foi constatado: a Giulinha estava com o nível de bilirrubina elevado, em outras palavras, estava com icterícia ou amarelão!

A icterícia é super comum em recém-nascidos e o tratamento é super simples: a fototerapia (banho de luz)! Mas pensem na minha aflição de ver minha filhota deitada peladinha naquele bercinho com luz usando uma máscara nos olhinhos! Sério, é angustiante…queria muito que aquilo acabasse!

A pequena ficou até o dia seguinte no banho de luz e eu comecei a rezar pra que o nível de bilirrubina tivesse abaixado e ela não precisasse mais da foto!

Lembro que o pediatra passou no nosso quarto bem cedinho e fez a medição ali mesmo! E graças à Deus, a Giulinha estava melhor e já poderíamos ir pra casa! Oba! Que felicidade!

Arrumamos as nossas coisas, colocamos uma roupinha linda na pequena e saímos os três felizes e faceiros do hospital.

A Giulinha nesse dia estava bem dorminhoca e molinha. A gente podia fazer o que quisesse com ela, que a criaturinha não acordava de jeito nenhum! Mais uma vez, como pais de primeira viagem, começamos a ficar preocupados. Durante quase todo o trajeto hospital-casa, ela ficou imóvel dentro do bebê-conforto e como estava cheia de roupa e mantinha, eu não conseguia ver se ela tava respirando direitinho! Hahaha! Foi quando falei pro meu marido: Amor, tô preocupada, não sei se ela tá respirando! O que eu faço? Haha. E ele todo preocupado dizia: Faz alguma coisa!!!!!!!! É melhor a gente voltar pro hospital!!! Comecei a tentar acalmá-lo e ao mesmo tempo tentar descobrir se a pequena estava bem, foi quando vejo ele virar pra trás e apertar com tudo o narizinho dela! Hahaha! Coitada, levou um susto! Mas respiramos aliviados! Ufa, ela estava bem! Hahaha!

Chegamos em casa e a colocamos no berçinho! Tudo parecia imenso perto dela…uma princesinha tão pequena e delicada! Ficamos observando aquele bebê lindo que dormia como um anjo no cantinho que preparamos com todo amor e carinho, SÓ pra ela! E de repente tudo começou a fazer mais sentido! O meu sonho de me tornar mãe tinha se realizado e eu já sentia o maior amor do mundo. Um amor sem explicação, sem limites, sem fronteiras…um sentimento único e eterno que nos faz querer ser pessoas melhores, que nos faz ter medo que algo de ruim possa acontecer, que nos faz abrir mão de tudo pelo bem-estar e felicidade desse pequeno ser, que nos faz chorar, que nos faz sorrir, que nos faz sentir a pessoa mais feliz e abençoada do mundo e que nos faz sentir a mãe mais importante e amada de todo universo!

Desde o dia em que a Giulia nasceu eu tenho vivido altas aventuras e experimentado um sentimento que não conhecia antes de ser mãe. O amor que sinto por ela é tão grande, que às vezes chega a doer! Não imagino mais a minha vida sem ela e não sei como consegui viver tanto tempo sem a sua presença!

Pra finalizar, deixo pra vocês a letra da NOSSA música…a música que embala nossa vida e aquece meu coração de mãe!

My Girl (Minha Garota)

I’ve got sunshine  (Eu tenho o brilho do sol)
On a cloudy day (Num dia nublado)
When it’s cold outside (Quando está frio lá fora)
I’ve got the month of May (Para mim é como se fosse a primavera)
Well, I guess you’ll say (Bem, você vai me perguntar:)
What can make me feel this way? (O que pode me fazer sentir desse jeito?)
My girl (Minha garota)
Talkin’ ‘bout my girl, my Girl (Eu estou falando da minha garota, minha garota)
I’ve got so much honey (Eu tenho tanto mel)
The bees envy me  (que as abelhas me invejam)
I’ve got a sweeter song (Eu tenho uma canção mais doce)
Than the birds from the trees (Que a dos pássaros nas árvores)
Well, I guess you’ll say (Bem, você vai me perguntar:)
What can make me feel this way? (O que pode me fazer sentir desse jeito?)
My girl (Minha garota)
Talkin’ ‘bout my girl, my Girl (Eu estou falando da minha garota, minha garota)

7 pessoas curtiram.

Psicóloga. Apaixonada por cinema, viagens, gastronomia e decoração. Mamãe da Giulia.

Comentários

  1. Lidiane Silveira Diz::

    Adorei mais este post Priscilla e confesso que o medo e os questionamentos como: O que eu vou fazer? Como vou cuidar de um bebezinho tão frágil? Será que eu vou dar conta? senti todos no dia em que fiz o exame para confirmar a gravidez, chorei muito de medo e também recorri a meu marido para tentar me acalmar. Desejo muitas bençãos a você e sua família.

    • Priscilla Diz::

      Oi Lidiane!!
      Aiii, esse sentimento é muito ruim né?! Um medo sem tamanho…
      Mas é super comum, acho que toda mãe já sentiu isso em algum momento de sua vida, seja na gravidez ou depois do bebê nascer!
      Na gravidez eu senti um pouco, mas não chegou a ser tão forte…pra mim a ficha demorou pra cair! Hahaha!
      Mas tbm desejo tudo de bom pra vc e sua família!!!
      Beijo grande!!!

Deixe seu comentário

*